Há horas parado no mesmo lugar e nada do ônibus passar. Terminada a jornada diária de labuta, de trabalho, o que mais se quer é chegar em casa, tomar um banho, dar um beijo na esposa, nos filhos e depois ir descansar. Para aqueles que dependem do transporte público, para os que não tem carro próprio, mesmo com toda a facilidade para se ter um veículo nos dias de hoje, o que resta é ficar ao relento esperando o “bonde passar”. Existem facilidades para se comprar o carro, mas existe um abismo enorme entre a facilidade e a tal da possibilidade de tê-lo.
Levamos uma vida de trabalho, vida de acasos, descasos, sofrimentos e algumas gratificações. A famosa vida do trabalhador brasileiro, já foi tema musical e de acordo com Jorge Mário da Silva, o Seu Jorge, cantor carioca, de Belford Roxo, moreno e de cabelos trançados, o trabalhador brasileiro é aquele que "rala igual burro e não ganha dinheiro". Verdade seja dita, está certíssimo este Jorge.
O salário é a contraprestação mínima devida e paga diretamente pelo empregador a todo trabalhador, inclusive ao trabalhador rural. Este salário deveria satisfazer todas as necessidades dos cidadãos assalariados do país. Necessidades estas, que vão desde as de alimentação, habitação, vestuário, higiene, até o famoso transporte. Ninguém quer ficar esperando o tal do ônibus azul, amarelo ou vermelho chegar.
Mesmo sendo um direito garantido constitucionalmente, ou seja, por lei, na maioria dos casos o salário ganho pelos brasileiros mal dá pra pagar os impostos. O dinheiro do José, da Maria, do João, da Fernanda, do Eustáquio, da Mariana e até o do Seu Jorge, mas não o cantor, o Jorge dono da quitanda, compra o necessário pra sobreviver, mas não o ideal para se ter. O salário do Jorginho cantor não entra nos moldes da nossa discussão, pois são várias cifras a mais do que aquelas pelas quais estamos acostumados a contar.
O Lula, aquele dos nove dedos, da barba grisalha, presidente do Brasil e o assalariado mais ilustre do país, já aumentou a arrecadação mínima da população por diversas vezes. Possivelmente, se seus “amigos” do congresso, que também são cidadãos remunerados, votarem a favor do projeto de lei que está em pauta, um novo aumento na renda da população ficará validado a partir de fevereiro de 2010. Aquele que anda a pé, de chinelo ou de tênis, os que andam de ônibus e até de outros transportes alternativos, receberão o equivalente a R$ 506,50, quase R$ 42 a mais do que o antigo salário de R$ 465. Isso mesmo, não se esqueça dos cinqüenta centavos agregados ao possível novo salário. Com certeza, estas moedinhas a mais ajudarão nas compras das balinhas do dia a dia, do chocolatinho de parafina que você poderá oferecer ao seu bacuri.
Aos Zes Marias e as Donas Joanas de todo o país, o que não pode é ficar sem dinheiro, sem serviço. Fechando com as palavras do cidadão ilustre de Belford Roxo, que ganha dinheiro e não trabalha que nem um burro, “Vai pro serviço, é compromisso, vai ter problema se faltar. Salário é pouco não dá pra nada, desempregado também não dá. E desse jeito a vida segue sem melhorar”.
Vida de trabalhador brasileiro, salvem os frentistas, os manobristas, os taxistas e os bombeiros. “Trabalhador Brasileiro”.
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*Guilherme Guimarães é estudante do 7º período de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte. Interessa-se por histórias do cotidiano, esportes e cultura. |

