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Crônica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Busca por más notícias

Por Jane Karlla de Araújo*
janekarlla@yahoo.com.br

Nunca pensei que iria torcer e buscar por uma notícia ruim, uma tragédia, um acontecimento que realmente despertasse comoção. Mas, lá estavávamos eu e meus colegas da faculdade de Jornalismo na porta do Hospital João XXIII, em busca de uma notícia “chocante” para que pudéssemos fazer uma redação.

A cada ambulância que chegava aumentava a apreensão na esperança de uma mega vítima em um mega acidente. Corríamos para averiguar o que tinha acontecido e logo após voltávamos a sentar na porta do Hospital frustradamente.  Ainda sem muito tino e sem saber como buscar a informação, tentamos ver o registro de ocorrências na portaria e fomos comunicados da impossibilidade do acesso, mas impacientemente o atendente nos disse que não tinha conhecimento de nenhum acontecimento grave e concluiu: “Hoje tá tranquilo, vem no fim de semana que aí o bicho pega”! 

No outro dia, deveríamos apresentar as informações colhidas ao professor e redigir uma redação. Mas como fazê-la se a busca do dia anterior tinha sido tão frustrante? Foi aí que meio sem rumo resolvi ligar para o corpo de Bombeiros e buscar por alguma informação. Expliquei ao atendente minha condição de estudante e o porquê dos meus questionamentos. Ele então me disse que o dia estava tranquilo, sem muitos chamados, mas..... (eu então já estava sem esperanças) que um elevador tinha acabado de cair no centro da cidade. Oh meu Deus!!! Perdoe-me pela felicidade da desgraça alheia, mas nesse momento consegui até vislumbrar minha redação, talvez um furo de reportagem frente a meus colegas!

Era a queda de um elevador no centro da cidade, um dos mais movimentados da capital Mineira e que fizera onze vítimas “graças a Deus” sem gravidade.

Deparei-me então com a primeira busca jornalística efetiva da minha profissão, e com ela insegurança, timidez, enfrentamento e questionamentos com relação ao sentimento vivido, principalmente, a culpa pelo desejo do mal. Pensei comigo mesma: não se culpe.... o que seria do médico se não fosse o paciente, o que seria do policial se não fossem os contraventores e etc e tal.

Diante do fato fui movida por uma adrenalina, uma curiosidade incessante e um desejo de transformação. Acredito que essa é a função primordial do jornalista, narrar tragédias em busca da transformação da sociedade.

E concluo com o trecho do texto de Nemércio Nogueira, veterano jornalista paulista, “Infelizmente não é a sua missão maior buscar boas notícias — porque, mesmo somando as páginas e minutos de todos os veículos jornalísticos do mundo, simplesmente não há espaço físico para publicar todas as novidades agradáveis que ocorrem em qualquer dia. Nem é seu métier falar bem de todos os milhões de pessoas que merecem elogio diariamente. Também não há espaço para tanto. Vida de jornalista, por isso, é proclamar não a rotina e sim sua quebra, que em geral é trágica. Remexer crimes, investigar desonestidades, denunciar injustiças, cobrir o desastre.”


 

* Jane Karlla de Araújo é estudante do 6º período de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte. É formada em Fisioterapia e está cursando também o 7º período de Direito.