Home > Opinião > Sonhos Interrompidos
   

Crônica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<< voltar

 

Sonhos Interrompidos

Por Pedro Junqueira *
(7º período - jornalismo UNI-BH)
pedbh@hotmail.com 

Júnea Aparecida da Silva e Deborah Gaylord Gentil nunca se encontraram. Uma era universitária e sonhava em ser bióloga, a outra, uma produtora cultural. A primeira era 32 anos mais nova. Mas suas vidas tiveram desfechos parecidos. Suas histórias se juntaram às de outras centenas de pessoas que são vítimas da violência vivida em nosso país atualmente.

As duas mulheres, assim como a balconista encontrada morta em Lagoa Dourada, foram vítimas de assassinatos cruéis e fortes agressões. Júnea sofreu abuso sexual e teve partes de seu corpo mutiladas. Deborah, uma americana que tinha três filhas e morava em São Paulo há 20 anos, o mesmo tempo que Júnea teve de vida, foi encontrada morta em Florianópolis, onde ficaria quatro dias; a produtora tinha marcas de agressões e pancadas na cabeça.

A vida de Júnea foi interrompida nos seus melhores anos. A menina tinha a vida inteira pela frente, estudava biologia e poderia ter uma grande carreira, ajudando, inclusive, a melhorar sua cidade, estado, país, ou até o mundo. Deborah, ainda com bons anos de vida pela frente, mãe de três filhos, uma carreira consolidada, morou quase metade de sua vida no Brasil. Quantos sonhos foram interrompidos.

A violência está roubando a vida de nossas crianças, adolescentes, adultos e idosos. Um assassinato como este não tira a vida apenas da vítima, mas traz amargura, temor e tristeza para a de outras dezenas de familiares e amigos que amavam e admiravam essas pessoas. Imaginem a dor dos filhos de Deborah ao descobrirem que a mãe foi assassinada enquanto viajava com seus amigos.

O medo e a indignação são sentimentos crescentes na sociedade. É difícil hoje encontrar uma pessoa que anda tranquilamente por ruas desertas. A qualquer momento você pode ser abordado por um assaltante, mendigo, pivete ou um assassino, como na caso dessas mulheres. A vida parece não valer nada para essas pessoas que disseminam o medo em nossos dias.

 


* Pedro Junqueira é estudante do 7º período de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte.