Júnea Aparecida da Silva
e Deborah Gaylord Gentil nunca se encontraram. Uma era
universitária e sonhava em ser bióloga, a outra, uma
produtora cultural. A primeira era 32 anos mais nova. Mas suas vidas tiveram desfechos
parecidos. Suas histórias se juntaram às de outras
centenas de pessoas que são vítimas da violência
vivida em nosso país atualmente.
As duas mulheres, assim como a balconista encontrada
morta em Lagoa Dourada, foram vítimas de assassinatos
cruéis e fortes agressões. Júnea sofreu abuso sexual e
teve partes de seu corpo mutiladas. Deborah, uma
americana que tinha três filhas e morava em São Paulo
há 20 anos, o mesmo tempo que Júnea teve de vida, foi
encontrada morta em Florianópolis, onde ficaria
quatro dias; a produtora tinha marcas de agressões e
pancadas na cabeça.
A vida de Júnea foi interrompida nos seus melhores
anos. A menina tinha a vida inteira pela frente,
estudava biologia e poderia ter uma grande carreira, ajudando, inclusive, a melhorar sua
cidade, estado, país, ou até o mundo. Deborah, ainda
com bons anos de vida pela frente, mãe de três filhos,
uma carreira consolidada, morou quase metade de sua
vida no Brasil. Quantos sonhos foram interrompidos.
A violência está roubando a vida de nossas crianças,
adolescentes, adultos e idosos. Um assassinato como
este não tira a vida apenas da vítima, mas traz
amargura, temor e tristeza para a de outras dezenas de
familiares e amigos que amavam e admiravam essas
pessoas. Imaginem a dor dos filhos de Deborah ao
descobrirem que a mãe foi assassinada enquanto viajava
com seus amigos.
O medo e a indignação são sentimentos crescentes na
sociedade. É difícil hoje encontrar uma pessoa que
anda tranquilamente por ruas desertas. A qualquer
momento você pode ser abordado por um assaltante,
mendigo, pivete ou um assassino, como na caso dessas
mulheres. A vida parece não valer nada para essas
pessoas que disseminam o medo em nossos dias.
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* Pedro Junqueira é estudante do 7º período de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte. |

