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Passagem para a ética

Por Janaína Reggiani*
(7º período - jornalismo UNI-BH)
jreggiani@gmail.com

Nos últimos dias, muito se tem falado sobre a cota de passagens aéreas que os políticos têm na Câmara Federal. Após várias denúncias de irregularidades a casa teve que rever as regras  em vigor. Todos os deputados, por lei, têm direito a uma cota de viagens aéreas que pode chegar ao valor de 18 mil reais. O benefício serve - ou deveria servir -, para que os parlamentares tenham a oportunidade de visitar sua cidade natal, pelo menos uma vez por semana.

Mas não é isso que vem acontecendo, a maioria não usa todo o valor do benefício e acaba  transformando o crédito das passagens para uso particular, não só dos políticos, mas como de seus familiares, amigos e funcionários. Mais da metade dos deputados viajaram para o exterior com dinheiro público.

Alguns parlamentares defendem bravamente o uso das cotas referentes às passagens, afirmando que as regras são legítimas há quase quarentas anos e que não deveriam mudar. Outros acham uma vergonha utilizar o dinheiro de verba pública para realizar viagens com a família para o exterior. Mas o que a maioria não percebe é que a opinião pública está atenta aos fatos e reivindicando mudanças.

Não se pode continuar do jeito que está, com a população sabendo de tudo que nossos políticos fizeram. Muitos escândalos já foram revelados, muito foi falado, pouco foi mudado, mas agora os eleitores querem saber o que será feito. O que as pessoas que foram colocadas no poder pretendem fazer com todos esses casos que vieram à tona.

Após muita pressão, as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado tiveram que se pronunciar e decidiram reduzir o valor das cotas de passagens aéreas dos parlamentares. O valor do corte vai ser de 20%, o que vai gerar uma economia anual de quase 18 milhões de reais para a casa. Pelas novas regras, só poderão usar a cota de passagem aérea o próprio deputado ou assessor, desde que autorizado pela Mesa Diretora. Nem cônjuge, nem filho, nem parentes do deputado poderão mais viajar com a cota de passagem do parlamentar.

Agora o que a população precisa saber é se realmente essas novas medidas vão funcionar. Os eleitores estão mobilizados para o assunto e devem ficar atentos a cada nova informação. Afinal de contas,  o dinheiro é derivado de recursos públicos, o que significa que quem paga essa conta somos nós.

 


* Janaína Reggiani é estudante do 7º período de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte. Gosta de política, economia
e comunicação em rádio.