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Durval Discos (2002)

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Sinopse

Durval e sua mãe Carmita vivem isolados do mundo numa casa antiga, onde também funciona a loja de vinis “Durval Discos”. Esse mundo é abalado com a chegada de duas personagens: a empregada Célia, contratada para ajudar Carmita e a criança Kiki. Célia desaparece deixando a menina na casa e um bilhete, avisando que voltaria para buscá-la. Mas Célia não volta. Depois de assistir ao telejornal, Durval e sua mãe descobrem o mistério que envolve a empregada e a garota.

Ficha técnica:

Título Original: Durval Discos
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2002
Site Oficial: www.durvaldiscos.com.br
Estúdio: Dezenove Som e Imagens / África Filmes
Distribuição: Riofilme
Direção: Anna Muylaer
Roteiro: Anna Muylaer
Produção: Sara Silveira e Maria Ionescu
Música: André Abujamra
Fotografia: Jacob Solitrenick
Direção de Arte: Ana Mara Abreu
Figurino: Marisa Guimarães
Edição: Vânia Debs


 

 
O que você pensa sobre o disco de vinil?

Não tem utilidade
Relíquia digna de colecionadores
Que fique no passado
Tem o seu charme

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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"O lado A e o lado B de “Durval Discos”
Cenas cômicas e trágicas marcam o filme brasileiro
 

Karine Nolasco (7º período Unibh)
karinenolasco@yahoo.com.br


Imagine que você está caminhando pelas ruas de São Paulo em plena era dos Cds, Mp3, da tecnologia digital, e aí encontra uma antiga loja de vinis. O dono usa cabelo comprido, roupas antigas e mora com a mãe. Ambos, afastados da modernidade, vivem escondidos do mundo. Isso pode até parecer surreal em pleno século XXI, mas é a partir daí que surge uma história divertida , trágica e humanamente conflitante. Medo, dúvidas, amor e ódio,  os mais variados sentimentos se misturam entre os personagens do filme “Durval Discos”.

Durval e sua mãe Carmita vivem isolados do mundo numa casa antiga, em que  funciona a loja de vinis “Durval Discos”. Esse mundo é abalado com a chegada de duas personagens: a empregada Célia, contratada para ajudar Carmita e a criança Kiki. Após alguns dias de trabalho, Célia desaparece, deixando a menina na casa e um bilhete, avisando que voltaria para buscá-la. Mas Célia não volta. Depois de assistir ao telejornal, Durval e sua mãe descobrem o mistério que envolve a empregada e a garota.

O cartaz do filme mostra uma foto do ator Ary França, que interpreta o Durval, em uma cena cômica. O nome do filme está escrito em letras coloridas, assim como o fundo do cartaz, que também possui elementos coloridos. Isso transmite a idéia de que o filme é cômico, alegre, divertido, embora o site Adoro Cinema o  classifique como drama.

Assim como os vinis, a obra possui  lado A e  lado B. O roteiro muda de estrutura na metade da trama. Inicialmente, o filme é marcado por cenas cômicas. Durval é um solteirão que mora com a mãe e resiste à passagem do tempo, assim como ela. Eles parecem viver no passado: usam roupas e mobiliários antigos. Durval insiste em não vender Cds e não entende o fracasso da loja. Ele tem dificuldade de sair de casa, de conhecer outras coisas e vive apegado à mãe, que  acha que ele ainda é uma criança.

Com isso, a roteirista e diretora Anna Muylaer mostra o retrato das pessoas que tentam resistir e se esconder da modernidade, do novo. Acomodadas, insistem em viver no passado. No lado A do filme assistimos às cenas engraçadas, que mostram o cotidiano de Durval e sua mãe e os fatos pitorescos que acontecem na loja. A atuação de Ary França (Durval), Etty Fraser (Carmita) e Marisa Orth (Elisabeth) são determinantes para o sucesso do filme.

Uma das cenas cômicas acontece quando Rita Lee aparece na loja à procura de um disco. Durval se oferece para ajudá-la a encontrar. Ela diz que procura um disco do Caetano Veloso. Durval encontra. Ela compra, paga, mas esquece o vinil na loja, em cima do balcão. Logo depois que Rita Lee sai da loja, seu próprio disco aparece na primeira fila, dando a idéia de que ela procurava por ele.

Já o lado B, da metade em diante, é marcado por conflitos densos. A empregada Célia, contratada para ajudar Carmita nas tarefas domésticas, desaparece, deixando uma menina na casa de Durval, com um bilhete dizendo que voltaria em três dias para buscá-la. Mas ela não volta. Durval e Carmita se apegam facilmente à criança. É angustiante ver que Carmita não consegue e não quer devolver Kiki. Ela começa a comprar brinquedos e roupas para a menina, como se ela fosse continuar a morar na casa.

Inicialmente, Durval sente ciúmes da garota e disputa infantilmente a atenção da mãe. A partir daí, acontece uma série de fatos inusitados e não cômicos. O filme ganha uma carga de drama e suspense.

Em algumas cenas, a câmera representa o olho do espectador, como se ele fizesse parte da obra. A primeira delas acontece no início do filme, quando as ruas de São Paulo são mostradas. Temos a sensação de que somos pedestres caminhando por elas. A segunda ocorre quando a menina anda de bicicleta pela casa. Parece que estamos andando com ela, que fazemos parte de cena . E talvez realmente façamos. O filme  oferece ao espectador a inesquecível cena do quarto e o final, que é surpreendente.

Saiba mais:

- "Comentários e notas do espectadores no Cine Players"
- "Slide Show - Making of Durval Discos (Vídeo no You Tube)"

Leia também:

- "A mensagem artística como crítica social presente no filme Durval Discos - (Artigo que analisa o longa-metragem)"
-
"O choque entre o velho e novo - Crítica do filme no UOL"