A polícia indiana está à procura de um ladrão nada convencional. Acredite se quiser, o rapaz é acusado de hipnotizar a funcionária de uma joalheria e roubar 160 mil dólares, cerca de 350 mil reais em pulseiras e colares de diamantes. Tudo aconteceu no sábado, 11 de abril, em Mumbai, Índia. A funcionária da joalheria Seres, que fica num luxuoso shopping, Katrina Sunil Purswami, foi procurada por um homem que queria comprar jóias. Ele a convenceu a levar as amostras até um hotel nos arredores da loja. O proprietário, como convém a todo capitalista, permitiu a visita da funcionária, imaginando bons lucros com o negócio e sem nem pensar na segurança.
Quando a moça chegou ao hotel, o homem começou a agir como se fosse o dono do local e, enquanto ela exibia as jóias, ele, sabiamente, pediu que ela anotasse em um papel os detalhes de cada peça. Depois de tudo bem explicado e anotado ele pôs seu método em ação: hipnotizou a funcionária, deixando-a confusa e sem entender o que estava ocorrendo. Nesse momento ele fugiu com todas as jóias. Não vou defender o ladrão, óbvio, mas uma coisa todos nós temos que admitir: sim, os métodos estão ficando cada vez mais sofisticados.
Nada de revólveres, metralhadoras, quadrilhas organizadas, homens mascarados de preto, assaltos na calada da noite, tortura às vítimas. Isso está em desuso. Pois é, quando pensamos que tudo já foi feito em matéria de assaltos e não há mais nada a ser inventado, eis que surge uma novidade. Até os ladrões procuram se atualizar; afinal, esse negócio de ficar ameaçando a vítima está fora de moda, ou melhor, muito manjado saca? E aí se apropriam de novos métodos para praticar novos crimes. Quem poderia imaginar que as técnicas de hipnose poderiam ser utilizadas para esse fim?
A hipnose é uma técnica de indução do transe, um estado de relaxamento semi-consciente. Ela pode ser induzida, por exemplo, por meio de um pêndulo, do movimento do dedo, pela voz ou simplesmente pelo olhar. Não se sabe ainda como a hipnose altera as funções cerebrais da pessoa. Uma das teorias mais aceitas é a de que ela afetaria os mecanismos da atenção em uma determinada parte do cérebro e provocaria o “desligamento” sensorial.
Proponho então que nós, pobres mortais, também nos atualizemos. Nada de coletes a prova de balas, tampouco seguranças por todos os lados. O negócio agora é ficar esperto com os pêndulos, os dedos, o olhar e as vozes das pessoas. Todo cuidado é pouco.
Pensando bem, parece que essa técnica não é tão nova assim, pelo menos para nós, brasileiros. Aliás, ela já está sendo até bem utilizada. Está todo mundo hipnotizado: ninguém se importa com tanta corrupção, mau uso do dinheiro público, violência, miséria, fome e uma infinidade de problemas sociais que persistem. Estamos todos em transe, desligados do mundo. E quem sabe o ladrão que passou pela Índia não aprendeu essa técnica por aqui. Até agora a polícia não encontrou nenhum vestígio do sujeito. E lembrando uma sábia música da dupla Caju e Castanha pergunto: quem é que vive mais, o ladrão besta ou o sabido? E respondo: o besta morre logo e o sabido é garantido.
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* Karine Nolasco é estudante do 7º período de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte. Gosta de histórias do cotidiano, cultura e política. |

