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Crônica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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"Êta choradeira"

Por Laíze Souza
(7º período - jornalismo UNI-BH)
laizevdl@gmail.com 

Por mais que nos esforcemos é bem difícil, e até mesmo impossível, termos pique e tempo para acompanharmos a interminável novela de escândalos e roubalheiras que movimenta o Congresso Nacional. Só nesse ano, é isso mesmo, apertem os cintos, eu disse, apenas durante esses três meses que se passaram, os senadores, deputados, ministros e alguns outros cargos ligados à classe já protagonizaram mais de 20 escândalos, só que ficamos sabendo, claro! Um dos últimos e bem bizarro caso, aconteceu na semana passada, quando o senador Gerson Camata (PMDB-ES) chorou durante uma reunião plenária.

O senador protagonizou o ridículo episódio do choro, porque se sentiu injustiçado ao ver seu nome e o de sua esposa, a deputada Rita Camata (PMDB-ES), na lista das baixarias do Congresso. O casal teve o nome citado por ambos receberem o auxílio-moradia, no valor de R$6.800 cada, mesmo tendo casa em Brasília. E é isso mesmo senador, já dizia a minha avó, quem não chora não mama!

Agora que Vossa Excelência derramou a primeira lágrima, eu também vou chorar para ver o que acontece. Choro porque moro em um “apertamento” alugado, com dois quartos, sem varanda e que nem área de serviço tem. Enquanto isso, o deputado mineiro Edmar Moreira (sem partido) até esquece de declarar o seu castelo de 25 milhões de reais. Aquela humilde residência com oito torres, 36 suítes, 18 salas, piscina com cascata, fontes, e 275 janelas, enquanto lá em casa são apenas duas, com vista para o teto de um estacionamento. Pô deputado, humilhou! Antes disso eu ainda tinha a doce ilusão que o melhor castelo era o Ra-tim-bum.

Vou chorar mais uma vez. Quem nunca sonhou em ficar o dia todo em casa, repousando a beleza e ainda recebendo dinheiro para isso. Essa vida é para poucos, coisa de Luciana Cardoso, filha do todo poderoso Fernando Henrique Cardoso. A dondoca era funcionária do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), mas só trabalhava em casa e recebia em meses que nem trabalhava. Você também se imaginou nessa situação? Agora pode acordar e esperar aquele ônibus que sempre demora, vem lotado e traz um desavisado com aquele desodorante vencido. Ao chegar ao trabalho, lá está serviço acumulado, chefe estressado. É fácil se identificar com essa situação, afinal, é o típico dia-a-dia de um trabalhador. Ops, acho que peguei pesado. Imagina a suadeira que deu na Luciana Cardoso só de escutar essa rotina. Afinal, filha de peixe, peixinha é!

Gente, e a história está se repetindo. A última foi com a filha do senador Tião Viana (PT-AC), que gastou 14 mil reais só de telefone. Detalhe, a conta é paga pelo senado. Buá, buá meu celular só faz ligação a cobrar.

Já que é para chorar, vamos chorar até soluçar. Os deputados colocam todo mundo para viajar. O deputado Fábio Faria (PMN-RN) e até o presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) usaram a cota de passagens aéreas da Casa para fazer gracinha e pagar viagens para os amigos, filhos, namorada, empregados, vizinhos, cachorro, papagaio... até para a sogra eles bancam viagens. E eu aqui e você aí, que financiamos todos esses destinos turísticos temos que fazer o quê? Chorar. Sacanagem, já paguei tanta viagem e nunca nem entrei em um avião.

E agora convido a todos os brasileiros que, acredito eu, não são poucos a formarmos um grande coral de choro. Sim, vamos chorar juntos, porque sequer sabemos em quem votamos nas últimas eleições, vamos chorar pelo cabelo lindo com chapinha que a chuva desfez, vamos chorar pelas absurdas taxas de impostos cobradas nesse país, vamos chorar pelo namorado barrigudo que só pensa em futebol, pela educação de má qualidade oferecida no ensino público, vamos chorar pela celulite nova que apareceu no bumbum. Enfim, vamos chorar pela pizza que os políticos vão comer, enquanto a gente faz aquele mexidão com ovo. Afinal, tudo nesse país acaba em pizza ou em um mexido.

 


* Laíze Souza é estudante do 7º período de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte.